O Que Eu Aprendi Com O Minimalismo

Comecei a ser minimalista antes do documentário Minimalism ir para a Netflix. Isso é minha Síndrome de Mainstream falando, mas é verdade. Foi no início de 2018 que conheci o minimalismo, e desde então eu cresci dentro dele. Em maio completa um ano desde que eu decidi por definitivo aderir a esse estilo de vida.

Para aqueles que não sabem, o minimalismo – ou "vida simples" – é um estilo de vida que prega ter um número mínimo de posses. O cerne é esse, mas ao redor dele podemos ver várias outros pontos positivos: menos dívidas, mais tempo para nos dedicarmos àquilo e àqueles que amamos, organização em todos os sentidos – espacial, financeiro e mental – e um sentimento de paz por ter cortado todas as coisas desnecessárias da nossa vida. Filosoficamente, muitos minimalistas são adeptos do estoicismo, que, de fato, é uma filosofia que se adequa bem ao estilo de vida.

Eu costumava ter muito problema com consumo de inutilidades. Livros que nunca lia, acessórios, ideias súbitas de "será que eu consigo montar um computador com menos de 1.000 reais?", e um desejo de sempre ter "o melhor" de tudo, não pelo status, mas porque era novidade. Isso causava muito caos para mim, não só porque eu não tinha dinheiro para pagar tudo o que queria, como também porque eu não tinha espaço físico no meu canto para esse monte de coisas. Meu quarto se tornava mais sufocante a cada semana, com mais e mais coisas que eu não precisava e às vezes nem queria de fato. Isso me deixava infeliz.

Quando eu comecei a me livrar das inutilidades, eu comecei a respirar melhor. Eu não precisava de um Raspberry Pi se tinha um computador em pleno funcionamento; eu não precisava de trinta e seis itens de colecionador quando ter dois apenas me fazia bem; eu não precisava ter mais de 300 livros no quarto, se já tinha lido a maioria ou não planejava ler tais volumes. Também não precisava guardar itens por valor sentimental. Eu posso ter uma memória frágil, mas eu me lembro das correspondências que troquei, não preciso ter todas as cartas sempre à vista.

Então eu me livrei disso tudo. Doei algumas coisas, vendi outras, dei mais algumas de presente e coloquei o resto longe dos olhos, no sótão.

Meu quarto tinha espaço. Meu quarto estava organizado, eu conseguia respirar dentro dele.

Mas às vezes eu perdia o foco. Às vezes eu escorregava e comprava uma coisa X, de que não precisava, mas "queria". Ter a doença do consumismo é o seguinte: não é o item em si que te traz felicidade momentânea, mas o próprio ato de gastar o dinheiro. Então eu burlava tudo o que tinha aprendido, e comprava coisas que não eram materiais, com a desculpa de que eu estava me dedicando a algo que amava. E ainda gastava, ainda tinha coisas inúteis.

Hoje eu estou em remissão disso. Não gasto dinheiro com itens frívolos, apenas com o que preciso de verdade: livros de estudo e pesquisa, cadernos para anotar tais estudos e pesquisas, e, uma vez por ano, algumas roupas novas. Tenho um único domínio e pago um servidor barato, e não dez domínios em um servidor caríssimo; tenho o mesmo celular faz três anos – e nunca tive um iPhone; me dou muito bem com o meu Kindle, por mais que ele tenha sido um desses impulsos; e um laptop usado faz muitos anos e um tablet são o suficiente para minha vida pessoal e profissional.

Mas tem uma coisa que o minimalismo não me ensinou: às vezes nossas paixões são táteis. Eu posso gostar de escrever, mas isso não quer dizer que eu seja obrigado a escrever apenas num computador ou tablet. Existem coisas que eu quero eternalizar. Então, sim, pode ser inútil para alguns minimalistas, mas eu preciso ter alguns cadernos e livros físicos. São todos úteis para mim: eu estudo com os cadernos, faço montagens ou desenhos, diários, cartas, enfim. E os livros físicos são por necessidade também: eu não posso exatamente ler O jogo da amarelinha em versão digital, e existem muitos livros de que preciso que não têm versão digital. Quando digo "muitos", arredondo aqui para oito, que é a quantidade de livros físicos que eu tenho.

Eu ainda sou minimalista por não digitalizar tudo o que eu tenho. Eu ainda sou minimalista, mesmo que às vezes eu escorregue e compre algo por impulso. Minimalismo não é sobre ter o mínimo, afinal, mas sobre isto: dedicar-se às suas paixões.

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